terça-feira, 21 de setembro de 2010

eis que cedo
o amor foi
esquecido

sem ter tido
o defeito
de ter feito
sentido

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ainda ando onde a onda avança
Ainda danço onde o mar é samba
Ainda ando sem rumo
A remar, remar onde o mar é nada
A nadar, nadar e perder o remo
E perder o rumo
E morrer na praia

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

desapego

Amor
com amor
se paga

Amor
sem amor
se apaga

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Observação:

Observo o verso
enquanto ele me observa.
O verso me absorve,
e vice-versa.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Essa mulher no espelho,
não sei de onde ela veio.
Mas me olha assim, ao inverso,
com esse olhar de reflexo
- reflito enquanto me penteio.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ainda procuro onde
a razão desse meu coração
se esconde

segunda-feira, 26 de julho de 2010

O passado é algo louco
que construí no escuro

Construirei amanhã
alguma coisa mais sã
e chamarei de futuro

terça-feira, 20 de julho de 2010

Nem me lembro
quantas vezes eu amei.
Mais de uma vez,
mais de três?

Nem me lembro,
era Dezembro.
O amanhã é só um talvez.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Insônia

No céu, a lua. Na cama, eu.
O sono vem quando o sol surgir,
Depois que a Bela adormeceu.

Sonhos me fazem querer sorrir.
As minhas horas? o gato comeu.
Cadê o sono que estava aqui?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

De noite eu me acordo
de dia eu me recordo
(eu só discordo porque estou de acordo)

Se o tempo ficou disperso
o amor não estava disposto
e um romance já não é mais certo

Se tudo não cabe num verso
o amor é um caso ao inverso
e um romance não espera agosto

De dia você me acorda
de noite você me recorda
e se eu não tenho porto, não me importo

Mas deixo aberta a porta
pois não importa o resto:
o seu protesto não resiste ao gosto

Se o tempo ficou disperso
o amor não sentiu remorso
e um romance vou gravar no rosto

Se tudo não cabe num verso
o amor se perdeu no universo
e um romance vou guardar no bolso